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  • Foto do escritorSilvana Santos

Metamorfose de uma mulher – uma borboleta




Sou uma mulher em constante busca por eu mesma!! Sou agitada, tenho grande necessidade de liberdade, de desafios, de conhecer, de absorver ou seja...... de viver intensamente!! Sair da zona de conforto não é empecilho pra mim. Medo, tenho vários, mas vou com medo mesmo! Tomada de decisões me deixam vulnerável e é algo que venho trabalhando muito, sim tenho dificuldade em aceitar que posso ser vulnerável....mas estou aprendendo. E aprender, conhecer o desconhecido é mágico, é desbravador, é desafiante.

Um bom resumo!

Aprendi com a vida a me virar sozinha, sair e me divertir sozinha, viajar sozinha, usar roupas que eu gosto, usar perfume e maquiagem para mim mesma. Me acho bonita, gosto dos meus cabelos, do meu estilo, tenho uma boa relação com meu corpo, aceito minhas estrias e gordurinhas (mesmo desnecessárias!). E aprendi a comemorar, mesmo sozinha, qualquer conquista! Brindar a vida!

Mas isso não quer dizer que sou uma pessoa solitária. Pelo contrário, tenho uma família linda e muito presente em minha vida, meus pais e minha filha são meu porto seguro! Tenho amigos verdadeiros e que estiveram sempre comigo e me apoiaram quando eu mais precisei. E tenho uma terapeuta (a melhor de todas!) que me apoia, me conforta, puxa minha orelha e sempre me motiva a continuar.

Isso se chama solitude, eu amo estar comigo mesma e preciso ter esses momentos. São momentos de reflexão, de me curtir, só eu comigo mesma. Nesses momentos penso em tudo que já passei, que enfrentei, dos medos e barreiras vencidas, das angústias superadas, das lágrimas que deixei cair e que me fizeram tão bem. E penso, caramba, sou uma mulher “foda”, que orgulho tenho de mim mesma. Sério, tenho muito orgulho da mulher que me tornei! Sempre quis ser assim quando crescesse, meu sonho....eu aqui estou, sempre me superando.

Já ouvi várias vezes “eu quero ser como você!” e me orgulho de poder ser exemplo para outras mulheres, mas não foi fácil chegar até aqui, nunca é. Nenhuma mudança é fácil! Por isso, devemos começar devagar, passo a passo, cada uma no seu tempo, cada uma com seus desafios, seus conflitos. E sempre, sempre lembrar que vc não está sozinha neste mundo e para isso precisamos olhar ao redor. Contar com apoio externo (amigos, familia, terapia, pets, flores etc) faz parte e aquece o coração em diversos momentos.

Sou impressionada por borboletas, qualquer uma, mas as azuis me fascinam. Me encanta a forma como elas nascem, se desenvolvem e voam. São “feinhas” dentro de um casulo mas depois que mostram suas asas são belas e únicas. Tenho várias borboletas azuis tatuadas no meu corpo, amo cada uma delas e simbolizam metamorfose, minha constante evolução.

Sair do casulo doeu, bastante, quando lembro como me machucou fico com lágrimas nos olhos. Em alguns momentos pensei que não daria conta, cai, levantei, cai de novo e levantei quantas vezes foram necessárias. Também me senti culpada por querer algo melhor para mim, por pensar só em mim. Foram várias tentativas com erros e acertos, e continuo assim, sempre buscando, sempre tentando.

Ainda tenho vários desafios e dragões para enfrentar, mas sigo meu caminho, as vezes sozinha, outras vezes com pessoas maravilhosas que entraram e permaneceram em minha vida!

Por isso me sinto uma borboleta, passei o tempo que foi necessário dentro de um casulo, mas quando abri minhas asas....me vi bela, única e livre! Estou sempre pronta para voar!

Assim sou eu, mas como cheguei até aqui? Quem sou? Como? Onde? Quando?

Gostei da ideia de começar de trás para frente, mostrar quem sou eu hoje mas mostrar como e porque cheguei até aqui. Então ai vai um pouco mais de minha história!


Venho de uma família pequena no qual as mulheres sempre ralaram muito para conquistar seu espaço no mundo. Minha avó, apesar do pouco estudo, trabalhou muito para dar um futuro melhor para suas duas filhas. Sempre incentivando para que as filhas estudassem e assim não precisassem depender de ninguém. Minha mãe saiu de casa muito cedo para estudar fora (aos 12 anos!) e aos 18 anos decidiu ir um pouco mais longe, sozinha, para estudar um pouco na capital. Aos 24 anos decidiu se casar e não seguir a profissão de enfermeira. Mas não parou por ai, com meu pai (um teólogo, filósofo e grande curioso da vida!) aproveitou para viajar e conhecer esse Brasil gigante, por vezes num jipe ou numa lambreta.

Construíram uma família linda (meu irmão e eu) e mesmo assim continuaram suas andanças pelo país. Assim meu irmão com 2 anos e eu com 9 meses fomos morar no Mato Grosso, ou melhor, em vários lugares daquela região pois naquela época era apenas um estado. As aventuras começaram antes de pousarmos em Cuiabá, que seria nossa cidade-casa-base. Viajando num avião pequeno, de apenas 4 lugares, enfrentamos uma chuva muito forte e que, com a habilidade e sabedoria do piloto, contornou, pois, sabia que não aguentaríamos se enfrentássemos. Mas isso nos deixou sem combustível para chegar ao destino final e minha mãe em pânico. Sacode daqui, sacode de lá (eu não lembro de nada disso!), a ideia era ficar voando baixinho até acabar o resto do combustível e evitar uma possível explosão. Assim, o piloto localizou uma fazenda que tinha uma pista desativada, mas com pouca vegetação e evitou um acidente mais grave. Minha mãe conta que rezou com muita fé “Deus, ou todos sobrevivem ou leva todos com vc, nada de deixar meus filhos sozinhos neste mundo!”. E assim, o Papai do céu atendeu, pousamos com muito susto, algumas avarias no avião e no meio do nada, aliás no meio de um rebanho que se assustou com o enorme estrondo.

Mas por que contar isso? Porque é o início de uma grande aventura.

Moramos em vários lugares, cada estação do ano num lugar diferente, em casas “normais” ou com telhado de palha, em barracas ou na traseira de uma caminhonete. Assim vivemos por 6 anos, viajando por caminhos que nem sempre tinham estradas, convivendo com vários tipos de pessoas: índios, jagunços, matadores de aluguel, desbravadores, etc. E acampando perto de riachos, tomando banho de rio, tomando cuidado para não ficar próximos aos caminhos das onças beberem água, pontes quebradas, atravessando rios com balsas. Tínhamos muitos desafios, como se proteger dos perigos de viver numa mata selvagem? Cobras peçonhentas, sucuris, onças, aranhas gigantes, dificuldade em comprar comidas e roupas. Tenho fotos belíssimas desses anos de aventura que mostram que meus pais foram abençoados e souberam conduzir da melhor forma a nossa educação e a nossa convivência com tudo isso! Sim, aprendemos a ler em casa com meus pais e frequentávamos escolas onde quer que estivéssemos. Minha infância foi bem protegida pois só tenho boas lembranças, não lembro dos “perrengues” que com certeza meus pais tiveram.

Mas por que escrever sobre tudo isso? Porque a minha transformação na mulher que sou hoje vem dessa criação, dessa mulher forte que é minha mãe! Focarei nela, minha mulher preferida, mas é claro que meu pai faz parte disso tudo.

Sempre fui incentivada por ela a estudar, buscar sempre algo novo e nunca, nunca deixar de aprender. E assim eu fiz! Sai de casa aos 18 anos para fazer faculdade em uma cidade bem longe e isso despertou em mim a vontade de voar. E com isso vem os medos, medo do novo, de começar tudo de novo, novos amigos, nova rotina, sair da casa dos pais e aprender a se virar sozinha. Mas fui....com medo, mas fui!

Aos 26 anos, já bem longe de casa (uns 2700 km!), conheci uma pessoa que foi um grande amor da minha vida, pai de minha filha e que eu achei que ficaríamos juntos pelo resto de nossas vidas! Entre vários desafios de nossa relação, o mais forte era nossa criação muito diferente. Ele, um homem maravilhoso, me tratou como uma princesa, com uma vida bem diferente da qual eu conhecia com seus luxos de joias, roupas elegantes, jantares, viagens, vida financeira bem estável. Mas com muitos preconceitos vindos de geração a geração e do qual não culpo ele.

Eu, jovem, autêntica, de criação livre, vida simples me apaixonei e entrei nessa relação com todo meu coração, que era o que eu tinha para oferecer para ele. E assim construímos nossa família, linda, com muitos altos e baixos, mas com muito amor!

Após 15 anos de casamento as nossas diferenças começaram a ficar maiores e mostraram que deveríamos nos empenhar mais em nossa relação e com nossos sentimentos. As discussões ficaram para trás assim como as conversas sinceras do que sentíamos e como poderíamos manter esse amor que nos uniu. Cada um seguindo seu caminho e com o tempo percebemos que vivíamos na mesma casa mais por conforto, mantendo nossa situação financeira estável e criando nossa filha. Mas amor? Onde estava? Ficou a gratidão pelos bons momentos, mas faltava algo. Erro dele? Erro meu? Não buscamos culpados, ambos deixamos chegar nesse ponto. E assim após 20 anos de casados decidimos juntos que cada um seguiria seu caminho, separados. Nosso objetivo era proteger nossa filha de qualquer sentimento negativo ou de que não a amássemos mais, deixar bem claro que, seríamos um ex-casal e não ex-mãe ou ex-pai.

Todas as decisões que tomamos geram consequências, e a decisão de um casamento, de uma família, de cuidar de uma família, cuidar de uma casa mesmo trabalhando e buscando minha ascensão na profissão foi minha. Eu me coloquei nessa posição, não fui obrigada. Eu entrei nessa “gaiola” e não percebi que a porta sempre esteve aberta. Que eu não precisava estar ali.

Sim, me deixei levar pelos encantos da paixão e de tudo que essa vida estava me proporcionando, uma vida bem diferente da minha, do meu estilo. Mas chega num momento que vc começa a pensar “ e se?”. E se fosse diferente? Será que eu consigo voltar ao que era? E se eu sair por aquela porta?

Assim fiz. Decisão tomada, segui adiante de cabeça erguida, sofrendo, mas fui.


Arrependimento? Não! Vontade de voltar? Também não!

Fica de recordação os bons e felizes momentos e trata-se as mágoas.

E hoje? Recomeçando todos os dias!

Pronta para amar novamente? SIM. Por quê? Porque eu quero e mereço!

Fica o receio de amar? Lógico, sempre aquele medinho que nos prende. Afinal entregar o coração para outro nos deixa de certa forma vulnerável. E como eu disse lá no começo, esse é meu grande desafio...me aceitar como mulher vulnerável e tudo bem!

Apaixonada? SIM, por mim, pela vida e por ele também!


Alraune (Naune).






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