top of page
  • Foto do escritorSilvana Santos

Não se esqueça de si


Por vezes a correria do dia a dia, as demandas de trabalho, as obrigações familiares e sociais, relacionamentos, uso excessivo de tecnologia, entre outros motivos, fazem com que nos esqueçamos de nós mesmos ou percamos a conexão com o nosso “eu”. Essa sensação de desconexão se manifesta de diversas formas, como: cansaço, insônia, desânimo, ansiedade, depressão, procrastinação, doenças psicossomáticas etc. Não é incomum que durante a nossa jornada acabamos nos perdendo de nós mesmos, esquecemos alguns sonhos e desejos, abandonamos alguns hobbies, nos afastamos de algumas amizades, deixemos de fazer coisas em prol de nós mesmos e passemos a viver “no piloto automático”. O modo piloto automático é tentador e igualmente perigoso, pois nos torna robotizados e sempre naquela trabalhar- pagar contas – criar filhos e todo o ciclo recomeça. A pergunta é: onde fica o “eu” nessa história? No meu caso, o “eu” estava preso e sufocado pelas demandas externas e pelo barulho mental. A conta deste “esquecimento do eu” chegou há algumas semanas e ainda estou reunindo os recursos para “pagá-la”. Para mim essa “cobrança” chegou em forma de crise de ansiedade, chorei copiosamente como criança, não tinha forças para nada, não conseguia reagir e retomar o prumo da vida, de uma hora para outra sucumbi ao excesso de demandas que em sua maioria não eram minhas! Estava no “automático” dizendo sim para todos e não para mim. No olho do furacão da crise, não conseguia coordenar um pensamento sequer, minha mente era invadida por pensamentos intrusivos, não conseguia focar em nada a não ser o desespero. A única coisa que queria era retomar a “ordem mental” que eu estava cultivando e de repente transformou-se em caos. Obviamente que a desordem que gerou a crise não ocorreu de repente, tal “bagunça” foi construída ao longo dos meses, digamos que de novembro de 2021 até março de 2022. Eu já percebia sinais sutis de sua presença, mas ignorei até a crise foi crescendo, fortalecendo e quase me engoliu semana passada. Me perdi de mim, como há tempos não acontecia, mas o resgate chegou! Chegou em forma de terapia, foi aquele “chacoalhão” com acolhimento que eu precisava. Aos poucos estou me resgatando, focando nas minhas próprias questões, me cuidando novamente, gentilmente olhando minhas necessidades, o que de longe é egoísmo. Pode parecer a coisa mais insana que vou dizer agora, mas agradeço “a crise”, não que a queria de volta, até mesmo porque a “danadinha” não está totalmente administrada. O que quero dizer é que são justamente os momentos de crise que colocam em evidência aquilo que precisamos dar atenção. No meu caso, preciso dar atenção a mim, às minhas necessidades, ao meu equilíbrio interior, à minha conexão com Deus, ao meu trabalho que amo tanto e temporariamente achei que não tinha competência para desempenhá-lo por estar focando em outras coisas e sobretudo me fortalecer antes de oferecer ajuda aos outros, não é egoísmo, mas sabedoria. Das lições que aprendi é que nada, absolutamente nada é mais importante que a minha paz interior. Há alguns dias venho “gestando” dentro de mim essas palavras, queria botá-las no papel, mas não conseguia, hoje finalmente consegui, acho que a minha paz me abraçando de novo e como é gostosa essa sensação. Alguns meses atrás, ouvi uma música interpretada pela maravilhosa Nana Caymmi “Não se esqueça de mim”, que naquele momento não fez muito sentido para mim, mas hoje entendo que era o meu “eu” sussurrando para mim: “onde você estiver não se esqueça de si” .


Fernanda

14 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comments


bottom of page