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  • Foto do escritorSilvana Santos

O egoísmo do “sofredor”



Pelo título você já deve estar pensando: essa daí pirou de vez, como alguém que está sofrendo pode ser “egoísta”? Explico nas linhas seguintes. Obviamente que o sofrimento não é algo agradável e que queiramos experimentar durante a vida, embora ele seja inevitável em alguns momentos. A questão que trago aqui é quando o sofredor torna seu sofrimento “um espetáculo”, tipo: “olhem como estou sofrendo”, “como a vida é injusta”, “nada dá certo para mim”. Atitudes que atraem a atenção e a compaixão dos incautos com seu sofrimento. Há também aqueles que usam seu sofrimento para manipular e obter vantagens daqueles que se prontificam a ajudar, despejando sem cerimônias “um caminhão” de problemas. Veja bem, a minha intenção não é menosprezar a dor alheia, tampouco transparecer ou dar a entender que as pessoas não devem buscar auxílio para amenizar suas dores, mas a minha intenção é alertar, tanto quem sofre quanto quem oferece amparo, para as armadilhas do “egoísmo” no sofrimento. Como disse acima, momentos de crise, dor e sofrimento são inevitáveis e inerentes à condição humana. Entretanto, seja na crise, na dor e no sofrimento, é necessário compreender que não é possível fugir ou evitar, que todas essas condições vão acabar em um determinado momento e que sempre é possível tirar um aprendizado dessas situações. Portanto, crise, dor e sofrimento não são absolutamente negativos, sendo possível extrair um saldo positivo dessas situações, basta enxergá-las por um outro ângulo ou com uma atitude proativa. O problema é quando a pessoa entra em um ciclo perpétuo de sofrimento e lamentação, em que nada é capaz de resolver ou apaziguar esse sofrimento. A sensação que se tem é que a pessoa encontrou uma zona de conforto no extremo desconforto, seja por ter uma tolerância ao sofrimento (tolerância que beira o masoquismo), seja para obter vantagens, atenção, piedade ou compaixão dos outros, tornando-se um mero espectador da vida, achando que há um determinismo, um destino, uma sina ou seja lá qual for a explicação para tal condição. Creio que existem situações que estão predestinadas a acontecer, como a perda de um filho ou outro ente querido, o que é impossível escapar ou evitar, ainda assim o sofrimento tem prazo para acabar. Mesmo em situações em que o sofrimento é inevitável, tal condição não é perpétua, salvo o inferno (rsrsrs), mas deixemos as questões religiosas ou filosóficas de lado, o que quero dizer é que embora existam situações que causam sofrimento programadas no nosso destino, não está pré-determinado o modo como devemos reagir a determinadas situações, a reação a tais situações é livre. Diante do sofrimento é possível escolher sucumbir ou superar, enfrentar ou acostumar, aprender ou rejeitar o ensinamento, todas essas reações são fruto do livre-arbítrio, um “programa” que veio pré-instalado na humanidade, rsrsrsrs. O que não dá para fazer é explorar o sofrimento e torná-lo um ciclo eterno, torturando quem convive com o sofredor, culpando Deus e o mundo pelas suas dores, angústias, misérias humanas, seja lá qual for o seu sofrimento e escusando ou ignorando a única pessoa que é capaz de por fim a isso: você. Agora me dirijo a você “egoísta sofredor”, espécime que usa a sua dor para subjugar os outros, explorar, obter vantagens materiais ou emocionais, sim você mesmo, não se esconda atrás dessa carinha de coitado e vítima, o mundo não tem culpa da sua dor, o mundo não lhe deve nada, para de encher o saco de quem está tentando te ajudar, para de “descarregar seu lixo emocional” nos outros. Faça um favor, ao invés de dizer apenas dizer: “nossa não tenho como lhe pagar o bem que me faz” e blá, blá, blá, mude de atitude aja! Aja para mudar essa situação em que se encontra e para não sofrer pelo mesmo motivo. Comprometa-se a NUNCA mais retornar a essa situação. Fracassos, dores, angústias, todos estamos passíveis disso, agora o que é inadmissível é não aprender com essas condições. Parafraseando uma fala dita pelo mentor espiritual de Chico Xavier no filme homônimo, “sofra, mas sofra com dignidade!”.

Fernanda

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